Charlize Theron, vencedora do Oscar por 'Monster', voltou a falar sobre a morte do pai em uma entrevista ao New York Times. A atriz relembrou o episódio ocorrido quando tinha 15 anos, quando a mãe dela atirou contra o pai em ato que foi tratado como legítima defesa. Theron disse acreditar que discutir casos assim pode ajudar outras pessoas que vivem situação semelhante.
Segundo a atriz, o pai — descrito como alcoólatra funcional — jamais a agrediu fisicamente de forma recorrente, mas expunha a família a riscos: dirigia embriagado com ela no carro e fazia ameaças verbais. No dia do episódio, após saírem do cinema e de não conseguirem entrar pelos portões fechados, o homem atirou contra a residência para forçar a entrada. A mãe de Theron pegou uma arma do cofre, atirou contra o marido e conseguiu desarmar o tio que também estava presente.
Theron cresceu numa fazenda na África do Sul durante os anos do Apartheid, um contexto que, diz ela, colaborou para uma experiência de violência e tensão desde cedo. Aos 16 anos mudou-se para a Itália para trabalhar como modelo e deu início a uma carreira que culminou no Oscar e numa visibilidade pública que hoje ela usa em causas sociais: em 2008 foi nomeada Mensageira da Paz pela ONU e mantém trabalho voltado a vítimas do HIV e a direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+.
Além de revisitar a memória pessoal, a atriz prepara o lançamento de 'Apex', suspense em que contracena com Taron Egerton e que chega à Netflix em 24 de abril. A lembrança do trauma familiar aparece para Theron como parte de um discurso mais amplo sobre violência doméstica e a necessidade de ampliar o diálogo sobre proteção e suporte às vítimas.