O fenômeno batizado de "Chinamaxxing" — a adoção entusiástica, muitas vezes irônica, de hábitos e produtos chineses por influenciadores ocidentais — saiu das telas para as ruas da China. Um vídeo de um americano mordendo o ganso braseado de Rongchang transformou um prato regional em destino turístico quase da noite para o dia, empurrando filas e gerando renda local.

O impacto econômico aparece em vários sinais: mais de 35 milhões de estrangeiros visitaram a China no último ano, segundo reportagens, e autoridades regionais atribuem parte do crescimento do gasto turístico à exposição internacional. Huangshan relatou dobrar o valor médio gasto por visitantes estrangeiros nos primeiros nove meses de 2025, e fabricantes chineses afirmam ver aumento de pedidos de itens promovidos por criadores, como ferramentas de guasha.

O episódio também escancara como soft power e marketing pessoal podem se converter em consumo real — e como o governo busca capitalizar isso. O Diário do Povo qualificou a onda como engajamento cultural global; ao mesmo tempo, medidas concretas, como um programa de entrada sem visto para 55 países, parecem ter papel decisivo na retomada do turismo internacional, além do mero burburinho online.

Resta, porém, o risco óbvio: a rapidez do ciclo de viralidade tende a produzir ganhos passageiros. Proprietários e gestores locais enfrentam o desafio de transformar atenção momentânea em turismo sustentável — exigência que passa por infraestrutura, capacitação e oferta consistente. Para além do mérito cultural da tendência, a lição é administrativa: aproveitar o impulso exige estratégia, não apenas sorte de um post.