Belém declarou situação de emergência na noite de domingo (19) depois que fortes chuvas, combinadas com maré alta, alagaram diversos bairros da capital paraense. O prefeito Igor Normando informou que houve 100 mm em seis horas e acumulado de 150 mm em 24 horas, e que cerca de 40 mil pessoas foram atingidas. Não há registro de mortes ou feridos até o momento, segundo a prefeitura e o Corpo de Bombeiros.

A administração municipal mobilizou 500 trabalhadores e mais de 60 máquinas para limpeza e desassoreamento de canais, e abriu três escolas como pontos de assistência social e de saúde em áreas atingidas. Foi instalado um ponto de doação na periferia para receber colchões, alimentos e itens de higiene. O prefeito não detalhou quantas famílias estão desalojadas ou desabrigadas; o cadastramento das pessoas afetadas está em andamento.

A prefeitura atribui parte do problema aos níveis excepcionais de maré — que chegaram a 3,6 metros —, o que dificulta o escoamento das águas. O projeto de macrodrenagem do canal do Mata Fome, apontado como prioridade em 2024 durante a COP30, ainda não saiu do papel: a gestão municipal afirma que as obras devem começar ainda este ano. A defasagem entre a priorização pública do projeto e a sua execução tende a reforçar cobranças sobre investimentos em infraestrutura urbana.

O Ministério Público Federal pediu medidas emergenciais para proteger pessoas em situação de rua, enquanto o governo federal, segundo o presidente em exercício Geraldo Alckmin, colocou estruturas à disposição e acionou os ministérios da Defesa e da Integração. O Corpo de Bombeiros diz que ainda não há mensuração completa dos danos. A cena expõe a pressão recorrente sobre serviços públicos locais e a necessidade de transparência imediata sobre número de deslocados e custos das intervenções.