A Coinbase comunicou nesta terça-feira que fará uma redução de cerca de 700 postos — aproximadamente 14% de sua força global — como parte de um plano de reestruturação que, segundo a empresa, visa cortar despesas e reposicionar os negócios para a era da inteligência artificial. A operação deve ser concluída no segundo trimestre de 2026.
A corretora atribui a decisão a dois vetores: a volatilidade recorrente dos mercados de criptomoedas e os rápidos avanços em ferramentas de IA que permitem automatizar tarefas antes executadas por equipes maiores. O CEO Brian Armstrong afirmou que novas ferramentas tornaram possível que equipes sem formação técnica enviem código e reduzam dependência de mão de obra intensiva.
A companhia garantiu estar bem capitalizada e com horizonte de crescimento de longo prazo, mas reconheceu que as condições atuais do mercado exigem operações mais enxutas. A reestruturação terá custo estimado entre US$50 milhões e US$60 milhões, majoritariamente para pagamentos de indenizações e benefícios — e a empresa admitiu que encargos adicionais podem surgir por eventos imprevistos ligados ao processo.
O anúncio reforça um padrão já visto no setor de cripto, em que quedas de atividade e menor otimismo levam a cortes de pessoal e ajustes operacionais. Além do impacto imediato sobre os funcionários desligados, a medida levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de negócios em ambientes mais turbulentos e acende alerta para investidores e reguladores sobre o ritmo de adaptação das plataformas ao avanço tecnológico e às pressões de mercado.