Há pessoas cujo olhar recai quase sempre sobre o lado ruim e transforma conversas em sequência de queixas. Psicólogas destacam que essa postura, além de desgastante, é contagiosa: quem convive intensamente com o reclamante tende a ter a energia reduzida, queda de prazer em atividades e impacto no rendimento no trabalho. Trata-se, portanto, de uma questão de saúde relacional com custo concreto para quem mantém o vínculo.
O primeiro passo sugerido por especialistas é o distanciamento emocional: ouvir sem absorver ou validar automaticamente todas as interpretações negativas do outro. Ana Silvia Sanseverino Rennó, psicóloga clínica e professora universitária, lembra que as opiniões alheias não são verdades inquestionáveis e que cabe a cada um escolher o grau de envolvimento. Em vez de confrontos agressivos, recomenda-se perguntas que abram outro foco — por exemplo, pedir que a pessoa aponte algo razoavelmente neutro ou perguntar como aquilo a afeta — e encerrar o assunto quando a conversa se transforma em maratona de reclamações.
Larissa Fonseca, especialista em ansiedade, reforça que tentar consertar o estado emocional do outro raramente resolve e costuma sobrecarregar quem tenta ajudar. Em ambientes onde o convívio é inevitável — família ou trabalho — vale limitar o contato, reduzir a frequência de ligações e compor a rotina com atividades prazerosas que recarreguem a própria energia. Se a presença já provoca ansiedade antes mesmo de encontrar a pessoa ou deixa a sensação de esvaziamento, esses são sinais de prejuízo que exigem medidas mais firmes.
Nem sempre a negatividade é escolha: pode sinalizar depressão, ansiedade ou traumas e, nesses casos, orientar busca por ajuda profissional é imprescindível. Mas quando o padrão é crônico, aprendido ou relationalmente tóxico, o afastamento temporário ou definitivo pode ser a alternativa mais saudável. Proteger a própria paz não é desamor; é preservar capacidade de atuação e bem-estar — prerrogativas essenciais para relações sustentáveis.