Uma nova plataforma baseada em inteligência artificial chega ao mercado com a promessa de enfrentar o que consultorias definem como 'fadiga da mudança' nas empresas. A United Minds, do grupo Weber Shandwick, lança o NAV nesta quarta-feira (15) como ferramenta de diagnóstico que, em poucos minutos, avalia porte, perfil e abertura à inovação de uma organização e sugere prioridades para processos de transformação interna.

O lançamento ocorre em um momento de tensão interna nas corporações: levantamento da Orgvue com 700 CEOs aponta que quase 40% dos gestores prefeririam pedir demissão a liderar novas mudanças no ambiente de trabalho. Ao mesmo tempo, pesquisa da Teneo com 350 CEOs mostra que companhias que conseguem implementar IA generativa registram entre 50% e 60% mais lucro do que aquelas que falham na adoção — dado que pressiona organizações a acelerar iniciativas, mesmo diante de resistência e desgaste das lideranças.

A proposta do NAV é, na prática, mapear barreiras culturais e melhorar a comunicação entre conselho, lideranças e equipes para aumentar a chance de adoção de novas ferramentas e modelos de trabalho. Segundo o vice-presidente da United Minds para a América Latina, Rodolfo Araújo, o principal obstáculo não é a tecnologia, mas a gestão de pessoas. A consultoria destaca que a metodologia se apoia na experiência em comunicação organizacional do grupo e que preços são divulgados apenas mediante consulta.

O diagnóstico digital pode ajudar empresas a priorizar intervenções e evitar implementações superficiais que desperdicem investimentos. Mas a oferta também expõe um problema maior: sem mudança consistente na cultura e clareza de propósito, ferramentas e promessas de ganho econômico dificilmente se traduzirão em resultados permanentes. Com 68% dos CEOs planejando aumentar aportes em IA neste ano, a corrida por eficiência pode ampliar turnover entre líderes e transformar a adoção tecnológica em desafio de gestão, mais do que apenas projeto de TI.