A CPI do Crime Organizado adiou para as 14h desta terça-feira (14) a sessão que vota o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), no qual ele recomenda o indiciamento de três ministros do STF — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes — e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A votação, originalmente marcada para as 9h, foi postergada por solicitação do presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), sob o argumento de que os parlamentares precisavam de mais tempo para analisar a versão final do documento.

No parecer, Vieira acusa Moraes e Toffoli de condutas incompatíveis com a honra e o decoro de seus cargos em razão de supostas relações com o Banco Master, sustenta que Gilmar Mendes teria protegido colegas ao suspender quebras de sigilo e atribui a Gonet omissão em investigações sobre o caso. O relator também descreve conexões entre operações financeiras do Master e estruturas suspeitas de ligação com organização criminosa, além de pagamentos a políticos e escritórios de advocacia.

Se aprovado, o indiciamento — que atribui a prática de crimes a pessoas identificadas no relatório — será enviado à presidência do Senado. Cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidir se encaminha ou não a abertura de processo por crime de responsabilidade contra os indicados; Alcolumbre já demonstrou, em outras ocasiões, resistência a esse tipo de desdobramento.

STF e PGR foram procurados pela reportagem e não haviam respondido até a última atualização. A própria trajetória da CPI, criada após a ação policial que deixou mais de cem mortos no Rio, já vinha sendo tensionada: senadores passaram a ampliar o escopo da comissão para incluir apurações sobre o Banco Master, transformando a investigação em palco político e institucional. A postergação da votação renova incertezas sobre os desdobramentos e o impacto político do relatório.