A CPI do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira (14), o relatório final do senador Alessandro Vieira que propunha o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, por 6 votos a 4. A derrota do relatório ocorreu depois de uma operação política que envolveu reação pública de ministros do STF, articulação do governo federal e mudanças nos titulares da comissão momentos antes da votação. O resultado interrompeu a tentativa de transformar em apontamento formal, na esfera parlamentar, suspeitas sobre a atuação de magistrados no episódio do Banco Master.

A dinâmica da sessão chamou atenção: três substituições de titulares ocorreram pouco antes da votação, alterando o perfil da bancada e contribuindo para o placar contra o relatório. Votaram pela rejeição os senadores Teresa Leitão, Beto Faro, Soraya Thronicke, Humberto Costa, Rogério Carvalho e Otto Alencar; favoráveis permaneceram Vieira, Eduardo Girão, Magno Malta e Esperidião Amin. O presidente da CPI, Fabiano Contarato, absteve‑se de votar. A data limite imposta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sem a prorrogação pedida pelo relator, também forçou a conclusão dos trabalhos no prazo estipulado.

O relatório de Vieira tinha pontos que superaram o debate técnico e geraram rejeição política: além de acusar três ministros do STF de crimes de responsabilidade — com sugestão de que ações teriam sido "incompatíveis" com o decoro —, deixou de fora indiciamentos de membros de facções, empresários e políticos relacionados a Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Essa seletividade foi um dos principais alvos de críticas entre senadores alinhados ao governo, que acusaram o relator de parcialidade e tentativas de uso eleitoral da comissão. Ministros do Supremo qualificaram a iniciativa como abuso e pressentiram tentativa de constrangimento institucional, mobilizando a reação que precedeu a votação.

Do ponto de vista prático, mesmo que o indiciamento tivesse sido aprovado, ele não implicaria responsabilização automática dos magistrados; serviria, na prática, para consignar suspeitas e indicar investigação formal. Politicamente, contudo, a derrota representa um revés para a estratégia de transformar a CPI em instrumento para atingir autoridades superiores e expõe desgaste na credibilidade da comissão quando agendas paralelas — mudanças de pauta e omissões sobre outros investigados — aparecem. O episódio reforça um ambiente de tensão entre Poderes e mostra que, em Brasília, articulação e controle de prazos continuam capazes de neutralizar iniciativas que ultrapassem o consenso institucional.