Um levantamento da Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados, com base no Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o eleitorado com 60 anos ou mais cresceu 74% entre 2010 e março de 2026 — de 20,8 milhões para 36,2 milhões. No mesmo período, o conjunto de eleitores de todas as idades aumentou apenas 15%, passando de 135,8 milhões para 156,2 milhões. A pesquisa ressalta que esses números ainda podem subir até o prazo final de cadastro, em 6 de maio.

Para a Nexus, o avanço da chamada Geração Prateada torna esse segmento altamente estratégico. Embora a instituição não afirme que os idosos decidirão isoladamente uma eleição, o peso numérico — cerca de um em cada quatro eleitores — e a experiência de 2022, quando a diferença entre candidatos foi inferior a 2 milhões de votos, elevam a relevância do voto 60+ em cenários polarizados. O dado acende alerta para campanhas, que terão de ajustar mensagens, logísticas e prioridades de agenda.

A participação dos maiores de 60 anos acompanha tendência de maior comparecimento: a abstenção nesse grupo caiu de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022, enquanto a abstenção do eleitorado geral subiu no mesmo período. Mesmo entre os maiores de 70 anos, onde o voto não é obrigatório, houve redução da ausência às urnas (63,6% em 2014 para 58,9% em 2022). Segundo a Nexus, parte desse movimento decorre de convicção política e da competição por faixas etárias que candidatos tentam 'conquistar', como também ocorre entre os jovens de 16 a 18 anos.

O impacto do envelhecimento também aparece nas candidaturas: dados do TSE apontam que, nas últimas eleições de 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60 anos ou mais se candidataram — cerca de 15% do total —, e o pleito geral anterior, em 2022, já havia registrado recorde com 4.873 postulantes nessa faixa (17% das candidaturas). A combinação de maior peso eleitoral e presença aumentada de candidatos seniores tende a pressionar debates sobre saúde, previdência e políticas públicas, forçando tanto governo quanto oposição a recalibrar estratégias sem, contudo, transformar o resultado em previsão definitiva.