Uma parcela relevante do eleitorado brasileiro — 16% — afirma que o país não é uma democracia, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 13 e 14 de outubro. Outros 50% veem o regime como democrático, mas com grandes defeitos; apenas 7% o consideram pleno. O levantamento ouviu 2.520 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Os números repetem tendência observada em março de 2024, quando o percentual que rejeitava a existência de democracia também ficou em 16%. A comparação com 2014 mostra evolução: há dez anos só 3% viam a democracia como plena e 9% negavam sua existência; hoje a percepção de plenitude cresceu, mas a insatisfação persiste em fatias significativas da população.
A dimensão política saltou ao centro por causa do tom adotado pelo candidato do PL. Flávio Bolsonaro, que questionou publicamente a plenitude da democracia, concentra entre seus eleitores maior descrédito: 23% desses apoiadores dizem que o Brasil não é uma democracia, enquanto apenas 2% a consideram plena. Entre os eleitores de Lula, 8% rejeitam o formato democrático e 12% o vêem como pleno.
Os dados têm efeito direto na campanha: traduzem fragilidade da confiança institucional em nichos eleitorais e indicam terreno fértil para narrativas que relativizam regras e autoridades. Ao mesmo tempo, o padrão do levantamento reforça que, na avaliação geral, o Estado de Direito e a rotina eleitoral mantêm-se referência — ainda que ameaçadas por percepção negativa. Para autoridades e opositores, o desafio é político e institucional: reconstruir confiança, demonstrar funcionamento das instituições e confrontar argumentos que minam a própria base do debate eleitoral.