Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8) revela que 25% dos eleitores que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL) dizem ter escolhido o candidato com o objetivo explícito de derrotar o presidente Lula (PT). Entre os apoiadores do presidente, 13% admitem voto orientado pela intenção de impedir a vitória do senador. No recorte do eleitorado como um todo, 76% afirmam escolher o que consideram o “melhor candidato”, enquanto 19% assumem voto motivado pela derrota do adversário.

O levantamento foi realizado entre terça (6) e quarta (7), encomendido pela Folha e pela TV Globo, com 2.520 entrevistados acima de 16 anos, registro BR-02949/2026 na Justiça Eleitoral e margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa também indica alta firmeza: 94% dos entrevistados dizem ter certeza do voto — o mesmo índice aparece isoladamente entre eleitores de Flávio e de Lula. Ainda assim, 6% do eleitorado admitem a possibilidade de mudar de opção no segundo turno, um contingente pequeno em tamanho, mas potencialmente decisivo em um cenário apertado.

Os números acendem alerta para estratégias de campanha. Para Flávio, o fato de um quarto de seu eleitorado declarar voto anti-Lula expõe uma motivação negativa que pode limitar apelo a eleitores indecisos e ampliar a necessidade de ampliar base além do núcleo conservador. O senador tem buscado consolidar a imagem de governabilidade, exibindo apoios e a votação da direita ao Congresso como trunfo; a pesquisa mostra, porém, que parte do eleitorado está movida mais por rejeição ao PT do que por adesão programática.

Do lado do presidente, a margem de eleitores convictos é semelhante, mas a equipe de campanha já direcionou esforços a reduzir a abstenção recorde do primeiro turno — 21,08% — e converter indecisos e pendulares. A leitura política é clara: com alta taxa de votos firmes em ambos os polos, a disputa tende a ser definida por quem conseguir mobilizar os poucos eleitores ainda em aberto e reduzir a distância causada por votos motivados exclusivamente pela derrota do rival. A pesquisa, portanto, complica narrativas triunfalistas e reforça a importância da mobilização e de mensagens que ampliem a atração além do voto de protesto.