Quase metade dos brasileiros — 46% — acredita que a seleção não conseguirá avançar além das quartas de final na Copa deste ano, segundo levantamento do Datafolha. O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios entre 7 e 9 de abril de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais. A convicção sobre uma eliminação precoce concentra-se nas quartas (21%) e nas oitavas (10%), enquanto 14% duvidam que o time passe da fase de grupos.

O índice de brasileiros que apontam o Brasil como favorito ao título caiu para 29%, o menor desde o início da série histórica do instituto e abaixo dos 33% registrados nove meses atrás, logo após a chegada do técnico Carlo Ancelotti. Ao mesmo tempo, 44% ainda acreditam que a seleção pode superar o chamado “trauma das quartas” — um sinal de divisão entre descrença e esperança em torno do elenco e da comissão técnica.

O levantamento também revela que percepção sobre as chances da seleção não é neutra politicamente. Eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostram-se mais otimistas: 36% o colocam como favorito e, somadas as expectativas de semifinal e final, 53% desses entrevistados acreditam que o Brasil superará o histórico de eliminações. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 26% veem a seleção como favorita e apenas 40% esperam ultrapassar as quartas. Há ainda diferença por gênero: 32% das mulheres apontam favoritismo, ante 26% dos homens, dentro da margem de erro por sexo.

O passado recente explica parte do ceticismo. Desde o tetracampeonato em 2002, o time passou das quartas apenas em 2014 — quando a semifinal terminou em derrota histórica por 7 a 1 para a Alemanha — e acumulou eliminações diante de seleções sem tradição de títulos em 2018 e 2022. A soma de recorde ruim e expectativas politicamente moldadas deixa a seleção sob pressões distintas: esportivas, pela necessidade de resultado; e simbólicas, por carregar projeções que extrapolam o campo.