A mais recente rodada do Datafolha mostra que 55% dos brasileiros acreditam haver envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal no caso do Banco Master. Outros 4% dizem não acreditar na conexão e 10% afirmam não saber, totalizando quase 70% dos entrevistados que dizem ter ao menos ouvido falar das suspeitas. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril, em 137 municípios; a margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03770/2026.
O impacto político das suspeitas aparece com nitidez nas diferenças por eleitorado: entre os que declaram voto em Lula a taxa que vê envolvimento é de 42%, enquanto entre eleitores de Flávio Bolsonaro sobe para 70%. Entre os que dizem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, 48% acreditam na participação de ministros. A divulgação também mostra descolamento por faixa etária e escolaridade: 48% dos jovens de 16 a 24 anos e 42% dos entrevistados com ensino fundamental afirmam não ter conhecimento do caso.
As revelações que vinham sendo noticiadas desde o fim do ano passado — envolvendo Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — estão no centro do desgaste que a corte enfrenta. Documentos citados na cobertura indicam transferências que chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos a um escritório ligado à esposa de Moraes; o ministro nega participação e há relatos de troca de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Toffoli, que foi o primeiro relator do caso no STF, também acumula questionamentos por decisões tomadas no processo. Em paralelo, há pressão pública e parlamentar por um código de ética mais detalhado e por investigações formais.
Do ponto de vista político-institucional, o levantamento acende alerta para a Corte: a percepção de irregularidades entre ministros corrói legitimidade e amplia desgaste em ano eleitoral. Para o governo, a gestão do caso virou elemento de custo político que precisa ser contido — como mostram manifestações do presidente Lula e de aliados ao questionarem membros do tribunal. Para a oposição, os números representam oportunidade para explorar dúvidas públicas. A saída institucional exige transparência e medidas que restituam confiança, sob risco de o episódio contaminar decisões judiciais e o debate eleitoral de 2026.