Pesquisa Datafolha feita entre terça (7) e quinta (9) aponta que 70% dos brasileiros se declaram contrários à guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, contra 20% que aprovam o conflito; 7% disseram não saber e 3% mostraram indiferença. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, e 94% dos entrevistados disseram ter conhecimento do episódio.

O apoio ao confronto varia por recorte social. Entre homens o suporte chega a 29% (63% rejeitam), enquanto entre mulheres a rejeição atinge 78% e a aprovação fica em 12% (margem de erro de 3 pontos nessas divisões). Menos escolarizados e camadas mais pobres demonstram menos apoio (13% e 16%, respectivamente), ao passo que níveis superiores de instrução, evangélicos e faixas de renda mais altas registram taxas de aprovação maiores — até 34% entre os mais abastados.

O conflito é percebido como de forte impacto econômico: 92% afirmam que a crise influencia preços dos alimentos, 87% veem efeitos sobre a economia e 84% acreditam que o Brasil sofrerá consequências; 75% disseram que a disputa afetará a eleição de outubro. Em reação à alta dos combustíveis e à pressão inflacionária associada às perturbações no fornecimento global (incluindo o estreito de Hormuz), o governo Lula anunciou cortes de impostos e aumento de subvenções para tentar segurar preços.

A polarização brasileira aparece no respaldo ao conflito: eleitores ligados ao clã Bolsonaro registram aprovações bem superiores à média — 40% entre declarantes de voto em Flávio Bolsonaro e 37% entre quem votou em Jair Bolsonaro em 2022 — enquanto entre eleitores de Lula 85% rejeitam a guerra e apenas 7% aprovam. O levantamento oferece um retrato do momento: sinaliza desgaste e dilemas políticos e econômicos que governos e candidatos terão de administrar, sem garantir desfechos eleitorais.