A mais recente pesquisa Datafolha, realizada em 17 e 18 de junho com 2.004 entrevistados em 139 municípios (registro TSE BR-09956/2026), mostra que 59% dos brasileiros concordam com a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. O levantamento indica ainda que 83% da população tomou conhecimento da medida, enquanto 33% discordam e 7% dizem não saber ou não opinar.
O apoio à medida varia de forma nítida por gênero: entre os homens 53% dizem concordar totalmente e 12% parcialmente; entre as mulheres, os percentuais são, respectivamente, 38% e 16%. O Datafolha registra também diferença na percepção de informação sobre o tema — 47% dos homens se consideram bem informados, contra 25% das mulheres — o que ajuda a explicar parte da assimetria nos níveis de concordância.
A pesquisa revela recortes políticos e religiosos relevantes. Evangélicos concentram 70% de concordância, acima dos 56% registrados entre católicos. No eixo partidário, 81% dos entrevistados que declaram ter votado em Jair Bolsonaro em 2022 apoiam a classificação americana; entre os que dizem ter votado em Lula, o apoio cai para 38%. As margens de erro variam conforme os segmentos, entre 3 e 5 pontos percentuais nos principais recortes.
Geograficamente, as diferenças são menores: Sudeste, Sul e Centro-Oeste registram porcentuais próximos (60% a 64%), enquanto o Nordeste é o menos favorável, com 53%. Em termos etários e educacionais, a medida tem mais aceitação entre os mais jovens (16 a 44 anos, 65% de concordância) e entre os com ensino superior (64%). Em nível prático, a designação americana autoriza sanções financeiras e investigações extraterritoriais — efeito que já levou empresas brasileiras a revisar cadastros de clientes, fornecedores e parceiros para evitar exposição.
Politicamente, o resultado acende alerta para o governo Lula. A decisão tomada por Donald Trump no fim de maio e implementada no início de junho contrasta com a tentativa do Planalto de mitigar ou postergar a medida; interlocutores do presidente já haviam manifestado receio sobre possíveis intervenções externas e custo eleitoral. O Datafolha expõe uma divisão da opinião pública que amplia o desgaste político do Executivo e complica a narrativa oficial, ao mesmo tempo em que pressiona por respostas claras sobre segurança e relações internacionais. Trata-se, contudo, de um retrato do momento, não de uma previsão definitiva.