Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (20) indica que o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um candidato à Presidência do Brasil não faria diferença para 65% dos eleitores. O levantamento aponta que 17% dos entrevistados afirmam que o endosso aumentaria a vontade de votar no candidato, enquanto 15% disseram que diminuiria; 3% não souberam responder. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 17 e 18 de junho, em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. O estudo está registrado no TSE sob o número BR-09956/2026.

O contexto político recente ajuda a explicar parte da resistência. Trump tem manifestado apoio público à família Bolsonaro, representada na disputa por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e tem feito críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevistas, o republicano descreveu Lula como “muito volátil”, afirmou que não se importa com o brasileiro e classificou o quadro político do país como “um pouco perigoso”, citando ainda a condenação de Eduardo Bolsonaro — episódio em que chegou a confundir nomes. Em resposta, Lula subiu o tom no G7, chamando Trump de “imperador” e defendendo que os EUA não se intrometam nas eleições brasileiras.

O próprio Datafolha observa que o efeito de um endosso externo tende a ser restrito: fatores domésticos, como a economia, continuam a ter maior peso sobre a escolha do eleitor. O levantamento também mostra que a influência de Trump é maior entre segmentos já polarizados — ou seja, o apoio pode mobilizar bases já alinhadas, mas tem pouca força para ampliar a atração de eleitores indecisos. Pesquisa AtlasIntel citada no material-base registra imagem negativa de Trump entre 54,8% da população, frente a 41,7% com imagem positiva, o que limita o alcance do endosso.

Politicamente, o resultado acende um sinal para campanhas e para o próprio bolsonarismo: depender de um aval externo pode trazer mais risco que benefício. A vantagem de mobilizar eleitores fiéis pode vir acompanhada de custo de rejeição entre parcela considerável do eleitorado, segundo os 15% que declararam se afastar de candidatos apoiados por Trump. Para o governo e para a oposição, os números reforçam que narrativas sobre interferência internacional têm pouco potencial de alterar o cenário eleitoral, mas podem ser exploradas como argumento político. Como todo levantamento, o Datafolha oferece um retrato do momento, não uma previsão definitiva do resultado das urnas.