A nova rodada do Datafolha, divulgada neste sábado, confirma um quadro de relativa estabilidade na percepção do eleitorado sobre o terceiro governo de Lula (PT): 38% dos entrevistados classificam a gestão como ruim ou péssima, 32% como ótima ou boa e 29% como regular. O levantamento, feito presencialmente entre 17 e 18 de junho com 2.004 eleitores e margem de erro de dois pontos, repete o padrão observado no final de maio e registra aprovação de 48% e reprovação de 49%.

A manutenção da avaliação negativa acima da positiva, ainda que dentro de faixa de estabilidade, tem implicações políticas claras. Pesquisas são retratos do momento, mas servem como termômetro: o saldo de desaprovação amplia desgaste político e reduz espaço de manobra do Executivo em pautas sensíveis. A aprovação estagnada também sinaliza dificuldade para o governo traduzir medidas em ganhos de imagem entre eleitores indecisos.

Alguns dados do próprio levantamento indicam fragilidades particulares. Entre famílias com renda de até dois salários mínimos houve recuo da avaliação positiva de 39% para 36% e aumento da negativa de 28% para 31% — variações no limite da margem de erro, mas que apontam desgaste na base social onde políticas redistributivas costumam ter maior impacto. A pesquisa também confirma a relação entre avaliação de governo e intenção de voto: 69% dos que declaram voto em Lula veem a gestão como boa ou ótima, enquanto 77% dos eleitores de Flávio Bolsonaro consideram o governo ruim ou péssimo.

No plano legislativo e internacional, razões concretas ajudam a explicar a resiliência do quadro negativo. A aprovação na Câmara da PEC que acaba com a escala 6x1 — bandeira importante para o Executivo — está parada no Senado, o que penaliza a percepção de capacidade de entrega. Internacionalmente, medidas como a proposta recente de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre bens brasileiros e a classificação de facções criminosas como terroristas pelo governo americano adicionam um componente de risco econômico e geopolítico que muda o cenário para a agenda econômica do governo.

Em perspectiva histórica, a avaliação positiva de 32% no terceiro mandato fica abaixo do desempenho do mesmo estágio nos mandatos anteriores de Lula (39% em 2006; 76% em 2010) e a avaliação negativa de 38% supera a de presidentes anteriores na série histórica do Datafolha, com exceção de Jair Bolsonaro (47% em 2022). Esses números não determinam resultados eleitorais futuros, mas acendem alerta e ampliam a pressão sobre o Planalto e sua base aliada: será necessário converter gestão em resultados percebidos pela população para recuperar terreno até 2026.