O Datafolha mostra que, três anos e quatro meses após o início do mandato, 39% dos entrevistados avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, contra 30% que o consideram ótimo ou bom e 29% que o julgam regular. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em abordagem presencial nos dias 12 e 13 de maio; a margem de erro é de dois pontos percentuais e o registro no TSE é BR-00290/2026. Na medição de aprovação direta, 45% dizem aprovar a gestão e 51% a reprovam.
Os números se mantêm próximos aos de abril, sinalizando estabilidade relativa, mas não reversão do desgaste observado no início de 2025 — quando a reprovação subiu em meio a crises sucessivas. Na comparação histórica desde Fernando Henrique Cardoso, a reprovação atual só fica atrás do patamar de Bolsonaro no fim de mandato (48%). O resultado acende alerta para o Palácio do Planalto e complica a narrativa oficial sobre recuperação plena da popularidade.
O recorte por sexo e intenção de voto confirma polarização. Entre homens, 41% veem o governo negativamente; entre mulheres, 37% têm a mesma avaliação — ambos os grupos marcam 30% de aprovação. Entre eleitores que declaram voto em Lula, 68% avaliam a gestão como ótima ou boa e apenas 1% como ruim/péssima. No outro extremo, 75% dos que dizem votar em Flávio Bolsonaro avaliam o governo negativamente; eleitores de Ronaldo Caiado e Romeu Zema também aparecem majoritariamente insatisfeitos.
Medidas lançadas recentemente pelo governo, como o Desenrola 2.0 e a isenção do IR até R$ 5.000, parecem não ter revertido a percepção: 59% afirmam que Lula fez menos do que se esperava até agora, e 47% consideram que o governo teve mais derrotas do que vitórias (39% dizem o oposto). O retrato aponta para pressão política e necessidade de ajustes na estratégia da gestão rumo à janela eleitoral de 2026.