Pesquisa do instituto Datafolha realizada entre 18 e 21 de agosto em cinco unidades federativas mostra forte heterogeneidade na avaliação ao governo Lula. Pernambuco registra o melhor índice de aprovação entre as unidades ouvidas: 46% dos entrevistados consideram a gestão ótima ou boa, enquanto apenas 27% a veem como ruim ou péssima. No extremo oposto, o Distrito Federal apresenta o pior saldo: 27% de avaliação positiva e 51% de avaliação negativa — a maior rejeição entre os locais pesquisados.
Nos demais estados ouvidos, o retrato é de fragilidade nos maiores colégios eleitorais. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, 27% avaliam o governo como ótimo ou bom e 48% como ruim ou péssimo. Minas Gerais, que se consolidou como principal desafio para qualquer projeto de reeleição, aponta 34% de avaliação positiva e 42% negativa. No plano eleitoral, o Datafolha mediu intenções de voto: no primeiro turno Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%; em eventual segundo turno, o petista teria 47% contra 43% do presidenciável do PL. A rejeição a ambos segue alta e quase simétrica: 46% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio e 45% afirmam o mesmo sobre Lula. Os levantamentos foram registrados no TSE e têm margem de erro variável conforme a amostra por unidade.
O conjunto de números acende um sinal de alerta político. Pernambuco consolida um palanque favorável — pesquisa de maio já mostrava vantagem folgada do presidente no estado —, mas os resultados em São Paulo, Rio e Distrito Federal expõem um problema prático: nos maiores colégios eleitorais a avaliação do governo está no vermelho, o que pode limitar articulações locais e a capacidade de transformar aprovação em votos. A presença de aliados e de nomes como Fernando Haddad em São Paulo, além da ofensiva de Lula no Rio com apoio de prefeitos influentes, aparece na matéria-prima da campanha como tentativa de mitigar esse déficit.
Do ponto de vista estratégico, os números reforçam a necessidade de reação da base governista: ajustar mensagens, fortalecer palanques regionais e reduzir a distância em estados decisivos para 2026. Para a oposição, os dados mostram espaço para explorar fragilidades em centros urbanos e no Distrito Federal. Resta lembrar que a pesquisa é um retrato do momento — relevante politicamente, mas não determinante — e que a tendência nas próximas semanas dependerá das ações de campanha e da capacidade de converter avaliação em intenção de voto.