O percentual de eleitores que considera o governo Lula ruim ou péssimo subiu de 38% para 41% entre o fim de julho e a pesquisa mais recente do Datafolha. A parcela que avalia a gestão como boa ou ótima oscilou de 32% para 33%, enquanto a avaliação regular caiu de 28% para 25%. Apesar de a variação estar no limite da margem de erro de dois pontos, o movimento tende a soar como má notícia para o petista neste início oficial de campanha.
A aprovação do governo também sofreu uma inversão simbólica: em junho 49% aprovavam a gestão e 48% desaprovavam; agora 50% dizem desaprovar e 48% aprovam. O instituto entrevistou 2.058 eleitores em 128 cidades entre terça (18) e quarta (19); o levantamento, registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-04496/2026, foi encomendado pela TV Globo e pela Folha.
Dois vetores ajudaram a explicar a piora: o recrudescimento do debate sobre as contas públicas, que mostra sinais de deterioração, e as revelações sobre negócios do filho do presidente, Fábio Luís (Lulinha), envolvendo suspeitas de tráfico de influência. Até agora esses fatos não produziram abalo profundo, mas se somam a um histórico recente em que o ótimo/bom de Lula já desabou de 35% para 24% entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, episódio associado a erro de comunicação sobre fiscalização de transações no Pix.
Politicamente, o resultado acende um sinal de alerta para a campanha: a avaliação do governo tende a transbordar para a intenção de voto, e a inversão na aprovação aumenta a pressão por ajustes de narrativa e medidas de efeito percebido. Ainda que desemprego em queda e inflação sob relativo controle deem alguma margem ao governo no eleitorado médio, as preocupações fiscais e os episódios envolvendo a família presidencial complicam a estratégia governista nas próximas semanas.