A avaliação negativa do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal subiu de 40% em maio para 47% no novo recorte do Datafolha divulgado neste sábado (26), atingindo o nível mais alto desde o início da série em 2019. A aprovação é de apenas 18% — patamar igual ao mais baixo já registrado —, enquanto 31% veem o desempenho como regular. O levantamento foi realizado entre 22 e 23 de abril com 2.002 eleitores, margem de erro de dois pontos percentuais e está registrado no TSE (BR-00304/2026).
Os números revelam uma erosão da confiança na Corte que não é homogênea entre campos eleitorais: 32% dos eleitores de Lula consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom, contra 6% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro; na faixa negativa, a inversão se confirma (24% entre eleitores de Lula e 69% entre os de Flávio). Essa divisão política acentua a fragilidade institucional do STF e amplia desgaste diante de episódios recentes que colocaram ministros sob escrutínio público.
A pesquisa também mapeou percepções sobre condutas de magistrados: 88% classificam como inaceitável um ministro julgar processos cujo advogado seja parente; 85% rejeitam participação remunerada em eventos pagos por empresas com interesses no tribunal; 82% consideram inaceitável decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos durante eleições. A soma desses resultados dá sustentação ao movimento pela criação de um código de ética para ministros, proposto pela presidência de Edson Fachin e em tramitação com relatoria de Cármen Lúcia, mas que enfrenta resistência interna no Supremo.
Os episódios que ganharam destaque na imprensa — entre eles referências ao escândalo do Banco Master, diálogos relativos a decisões e contratos, investigações da Polícia Federal e apurações do CNJ envolvendo ministros específicos — ajudam a explicar a sensibilidade do eleitorado. Em termos práticos, a pesquisa acende alerta: sinaliza necessidade de respostas concretas do tribunal para conter a deterioração de legitimidade e reduz espaço para ambiguidades em torno de conflitos de interesse. A soma dos números deve ser lida como um recado tanto ao STF quanto ao Congresso, que pode ver na demanda por regras mais claras um argumento para cobrar medidas de transparência e prestação de contas.