A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta confirma um cenário apertado: no segundo turno, Lula aparece com 46% ante 44% de Flávio Bolsonaro, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. No primeiro turno, o levantamento registra 38% para Lula, 33% para Flávio e 8% para Augusto Cury. Foram ouvidos 2.002 eleitores em 125 cidades entre terça e quarta-feira.
A campanha do presidente reconheceu que a disputa está indefinida e aponta fatores internos — atraso na distribuição de material e avaliação negativa do governo — como explicações para o desempenho. Petistas também citam o impacto dos vazamentos e das investigações sobre o filho do presidente, que teriam corroído parte do eleitorado, e esperam recuperação com a programação de televisão que ainda vai ao ar.
Do lado de Flávio, assessores avaliam que o momento favorece uma virada. O PL busca capitalizar a crise envolvendo o Supremo e associar Lula ao ministro Alexandre de Moraes, além de estimular a mobilização de rua no feriado de 7 de Setembro como catalisador de apoio. Parte da equipe admite, porém, que fatores econômicos e a insatisfação com o governo também explicam a desidratação do petista.
O placar apertado acende alerta para ambos: Lula precisa reduzir desgaste imediato e acelerar resposta política; Flávio aposta em estratégias de rua e em eletrizar a narrativa contra o Judiciário para ampliar seu espaço. O crescimento de Cury aparece como fator de dispersão de votos, mas analistas de campanha duvidam da profundidade do salto. Em suma, a pesquisa é retrato de um cenário fluido, que pode mudar dependendo das próximas semanas e do impacto do ato de 7 de Setembro.