A mais recente pesquisa Datafolha revela um eleitorado mais apreensivo do que nas eleições de 2022: 46% dos entrevistados dizem estar mais preocupados com o resultado, ante 28% que se sentem igualmente preocupados e 24% menos. O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades nos dias 1º e 2º, está registrado no TSE (BR-03669/2026) e traz margem de erro geral de dois pontos percentuais.

O recorte por voto declarado mostra que a preocupação é especialmente alta entre os eleitores de Flávio Bolsonaro: 63% deles afirmam estar mais apreensivos do que em 2022. Índices próximos aparecem entre os apoiadores de Renan Santos (59%), Ronaldo Caiado (56%), Augusto Cury (55%) e Romeu Zema (52%). Em oposição, o eleitor que declara voto em Lula registra o menor nível de aumento na preocupação (30%). Esses números acendem um alerta sobre a volatilidade do eleitorado e as dificuldades de campanha em administrar sentimento e narrativa. Nos recortes por candidato, a margem de erro sobe para quatro pontos.

Apesar da apreensão, a pesquisa aponta uma população mais decidida: 57% dizem estar mais inclinados a votar do que em 2022, 32% igualmente decididos e 11% menos. Entre declarantes de voto, 68% dos que dizem preferir Flávio e 61% dos que apoiam Lula relatam maior decisão de comparecer às urnas, empate técnico dentro da margem. O quadro sugere que, embora a inquietação cresça, a pressão por comparecimento poderá manter participação elevada — fator que pode favorecer candidatos com bases mobilizadas.

Há, porém, sinais de diminuição do ativismo direto: 32% dos entrevistados afirmam estar menos engajados em fazer campanha por algum candidato, contra 45% que dizem estar com o mesmo nível de engajamento e 18% mais engajados. Entre os que declaram voto em Flávio, as respostas ficam divididas (26% mais engajados, 25% menos, 44% iguais); entre os de Lula, predomina a estabilidade (20% mais, 27% menos, 48% iguais). Menor engajamento voluntário pode penalizar esforços de mobilização local e alterar dinâmica de voto nos confrontos cerrados.

No retrato da disputa, Lula aparece com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro — uma diferença de cinco pontos — e o avanço de Augusto Cury, agora com 8% após alta de seis pontos. Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos 3%, Romeu Zema 2%; outros nomes somam percentuais menores; branco/nulo atinge 6% e indecisos 3%. Dado o histórico recente — em 2022 o segundo turno foi decidido por 50,9% a 49,1% — o levantamento reforça que a disputa permanece apertada. Em suma, o Datafolha pinta um eleitorado mais decidido, porém inquieto, cenário que amplia o desafio estratégico das campanhas e mantém aberta a incerteza sobre o desfecho.