A nova pesquisa Datafolha divulgada no sábado, 3 de outubro, traz um recorte que muda o tom da campanha: em simulação de segundo turno o ex-presidente Lula aparece com 47% das intenções de voto ante 46% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de um ponto está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico entre os dois candidatos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-01708-2026.

O aspecto mais relevante do levantamento é a oscilação entre sondagens: no levantamento anterior, divulgado em 1º de outubro, Lula tinha 48% contra 45% de Flávio. Em duas semanas, portanto, a vantagem numérica do petista caiu de três para um ponto, um movimento que, apesar de pequeno, interrompe a tendência de folga que vinha sustentando a narrativa governista. Para especialistas em campanha, esse tipo de variação numa janela curta costuma ser interpretado como sinal de reação da oposição e mobilização da base bolsonarista.

No cenário de primeiro turno, a pesquisa atribui a Lula 45% dos votos válidos ante 42% de Flávio Bolsonaro. Os números mantêm Lula à frente, mas ainda abaixo do patamar que garantiria vitória no primeiro turno, preservando a possibilidade de segundo turno e a volatilidade típica de eleições competitivas. O Datafolha aponta um retrato do momento, não uma previsão definitiva — e, dentro da margem de erro, a corrida segue apertada.

Politicamente, os resultados têm implicações concretas. Para o governo, a redução da vantagem amplia desgaste e acende alerta sobre necessidade de ajuste de mensagem e estratégia, sobretudo na disputa por eleitores indecisos. Para Flávio Bolsonaro e o núcleo do bolsonarismo, a aproximação oferece munição para reforçar mobilização e discurso de competitividade. Em ambos os lados, a leitura dos números tende a influenciar prioridades de agenda e investimentos de campanha nos próximos dias.

A pesquisa confirma que o pleito permanece disputado e que pequenas oscilações podem ganhar peso político. Com margem de erro de dois pontos e intervalo de confiança de 95%, o dado exige cautela: é um sinal de alerta para quem governa e um estímulo para a oposição. As próximas sondagens e a dinâmica de campanha serão decisivas para avaliar se essa redução da vantagem é episódica ou início de uma tendência mais consistente.