Pesquisa divulgada pelo Datafolha nas últimas 24 horas mostra um quadro heterogêneo por estados e lança sinais políticos claros para as campanhas. O senador Flávio Bolsonaro aparece na frente em São Paulo e no Rio de Janeiro — dois dos maiores colégios eleitorais do país — e também lidera no Distrito Federal. O presidente Lula mantém uma vantagem folgada em Pernambuco. Em Minas Gerais, palco de uma disputa tradicionalmente decisiva no Sudeste, os números indicam empate técnico entre os dois candidatos, cenário que reforça a importância estratégica da região, responsável por cerca de 40% do eleitorado nacional.
Nos detalhes estaduais, o levantamento aponta Flávio com 49% contra 41% de Lula em simulação de segundo turno em São Paulo, com margem de erro de 2 pontos. No Rio de Janeiro, o senador registra 51% ante 42% do presidente (margem de erro de 3 pontos). Em Minas Gerais, a disputa no segundo turno aparece muito apertada: 46% para Flávio e 44% para Lula, dentro da margem de erro de 3 pontos, o que configura empate técnico. Nos cenários de primeiro turno citados pelo Datafolha, as diferenças também são curtas em estados-chave, reforçando a volatilidade local.
A pesquisa confirma, por outro lado, a consolidação de Lula em Pernambuco: 64% em simulação de segundo turno contra 29% de Flávio, e vantagem semelhante no primeiro turno. No Distrito Federal, Flávio tem 51% e Lula 41% no segundo turno. No cenário nacional, divulgado em paralelo, Lula aparece com 40% no primeiro turno contra 36% de Flávio, distância que fica no limite da margem de erro de 2 pontos; no segundo turno os números são 47% a 45% favoráveis ao petista. Os levantamentos foram feitos entre 22 e 24 de setembro, com amostras estaduais e nacional que variam conforme o estado (São Paulo: 1.610 entrevistas; Minas, Rio e Pernambuco: 1.204; Distrito Federal: 910; amostra nacional: 2.002).
Do ponto de vista político, os números têm implicações concretas. Para o governo, a frente estreita ou a liderança do adversário em São Paulo e no Rio significa perda de terreno em praças essenciais para formação de maioria e para financiamento e exposição midiática da campanha; o empate em Minas amplia a necessidade de decisão sobre prioridades de tempo de TV, deslocamento de lideranças e recipientes de gastos. Para a oposição, a vantagem em grandes colégios eleitorais representa uma oportunidade de transformar numericamente essa liderança em votos no primeiro turno ou em vantagem estrutural para o segundo. É preciso lembrar que pesquisas retratam um momento: margens apertadas ampliam a importância de logística de voto, comparecimento e alianças regionais, fatores que podem decidir o desfecho em 2026.