Levantamento conjunto do Datafolha, encomendado pela Folha e TV Globo e registrado no TSE, aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL) reúne mais adesões entre os eleitores que no primeiro turno votaram em Romeu Zema, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. No agregado desses quatro segmentos, Flávio atinge 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT), que aparece com 30%, enquanto 26% declaram voto branco, nulo ou nenhum. O trabalho ouviu 4.003 eleitores em todo o país entre 8–10 e 15–17 de setembro de 2026; a margem de erro global é de 2 pontos percentuais.

O diferencial do senador é mais evidente nos recortes por candidato do primeiro turno. Entre eleitores de Zema, Flávio tem 48% contra 25% de Lula, vantagem na qual o Datafolha não registra empate técnico — ainda que o recorte tenha margem de erro maior. Resultado semelhante aparece no eleitorado de Renan Santos, com 43% para Flávio e 22% para Lula. Nos apoios a Caiado e Cury, o bolsonarista também lidera numericamente (43% e 41%, respectivamente), mas nessas fatias as margens ampliadas criam empate técnico com o petista. No confronto geral, o instituto aponta empate técnico: 46% para Lula e 44% para Flávio.

O levantamento confirma duas características da disputa: altíssima fidelidade às candidaturas de primeiro turno — Lula retém 98% de sua base e Flávio 99% — e a dificuldade de converter votos de eleitores de centro-direita e de candidatos conservadores para o campo petista. Entre os que votaram em branco, nulo ou nenhum, 62% dizem que manterão essa opção no segundo turno; entre os que migram, Lula vence por margem, 20% a 17%, mas o universo pró-Lula é reduzido e sujeito à variação dentro da margem de erro.

Do ponto de vista político, os números representam complicação concreta para a campanha de Lula: a capacidade de Flávio de atrair eleitores de Zema e Renan reforça sua competitividade e amplia a necessidade de ajustes estratégicos na comunicação e na busca de apoios. Para o bolsonarismo, o resultado sinaliza espaço para consolidar uma frente ampliada entre eleitores conservadores e liberais. Em termos práticos, as campanhas terão de disputar não apenas indecisos, mas setores que hoje se mostram refratários ao PT, o que redefine prioridades de mensagem, mobilização e negociações com lideranças regionais.