O levantamento do Datafolha realizado de 5 a 13 de fevereiro em São Paulo coloca Lavoisier, Fleury e Delboni no topo da preferência das classes A e B, em um empate técnico explicado pela margem de erro de três pontos percentuais. O Lavoisier obteve 17% das menções espontâneas, seguido pelo Fleury com 16% e pelo Delboni com 14%, numa amostra de 1.008 pessoas com 16 anos ou mais.

Mais do que prestígio de marca, a liderança reflete mudanças operacionais: redes privadas estão transformando processos com automação, inteligência artificial e adaptações físicas para reduzir tempo de espera e o estresse do usuário. O Fleury, por exemplo, relata uso de aceleradores em ressonância magnética para diminuir o tempo dentro do aparelho e algoritmos que agilizam a emissão de laudos. Na Dasa, que controla Lavoisier e Delboni, metade dos equipamentos de imagem já opera com IA e novos testes — como a urocultura expressa — encurtaram resultados de horas para cerca de 45 minutos.

As mudanças impactam também a planta das unidades: núcleos integrados reduzem deslocamentos internos, e ambientes especializados — como espaços voltados à mulher e salas adaptadas para pessoas com transtorno do espectro autista — buscam dar previsibilidade a quem chega em situação de maior sensibilidade. Executivos dizem que a combinação entre escala e personalização é o diferencial competitivo.

O progresso técnico traz ganhos claros para pacientes que podem pagar por esse tipo de serviço, mas abre um ponto de tensão: a concentração de avanços no setor privado impõe limites ao debate sobre equidade no acesso a diagnósticos mais rápidos e menos invasivos. Há também questões práticas pela frente, como custo dessas tecnologias, necessidade de regulação do uso de IA em diagnósticos e integração com o sistema público de saúde.

Para o setor, a aposta é em automação e exames menos invasivos — da biópsia líquida ao rastreamento contínuo de doenças crônicas — como próximos vetores de vantagem competitiva. A pesquisa do Datafolha funciona como retrato de preferência em um segmento exigente, mas também como lembrete de que liderança em atendimento não se confunde automaticamente com resolução dos desafios de acesso e custo no conjunto do sistema de saúde.