O levantamento do Datafolha divulgado na sexta-feira (22) revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece melhor posicionado entre eleitores situados no centro da escala ideológica — aqueles que marcaram 4 numa escala de 1 (extrema esquerda) a 7 (extrema direita). Nesse segmento, Lula reúne 29% das intenções de voto, contra 20% atribuídas a Flávio Bolsonaro (PL).
Os números expõem duas realidades políticas claras: primeiro, que Lula mantém apelo entre moderados, um recorte essencial para qualquer estratégia eleitoral que busque ampliar a base fora do núcleo partidário tradicional; segundo, que a tentativa de Flávio Bolsonaro de projetar imagem moderada encontra limites práticos. A diferença mostra que a narrativa de moderação ainda não se traduziu em transferência de votos suficiente neste público.
A chamada terceira via permanece dispersa no centro. Figuras como Ronaldo Caiado (PSD) e o escritor Augusto Cury (Avante) pontuam apenas 6% nesse segmento, enquanto Renan Santos (Missão) registra 5% e Romeu Zema (Novo) 4%. Cury, que se define mais abertamente como candidato de centro, tem desempenho modesto também no total do eleitorado, com 2%. O quadro indica fragilidade na consolidação de um polo alternativo capaz de disputar voto a voto com os polos já estabelecidos.
Politicamente, o levantamento acende alerta para pré-candidatos que ambicionam surgir como alternativa: a fragmentação reduz chances de viabilizar um nome competitivo sem uma recomposição das alianças ou uma estratégia de agregação clara. Para Flávio Bolsonaro, o resultado amplia o desafio de combinar discurso moderado com conquistas eleitorais concretas; para Lula, oferece um sinal de vantagem tática no eleitorado mais pragmático, mas não constitui previsão definitiva do resultado final.
O Datafolha entrega um retrato do momento, não uma sentença: os números devem orientar ajustes de campanha, negociações partidárias e movimentos de coalizão nos próximos meses. Se a terceira via quiser superar o atual vácuo, terá de converter visibilidade em unidade e propostas com apelo prático — algo que, por ora, a pesquisa mostra ainda distante.