O primeiro levantamento do Datafolha desde o início formal da campanha presidencial mostra um quadro mais apertado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto contra 33% de Flávio; em uma simulação de segundo turno entre os dois, o petista tem 47% ante 43% do rival. A diferença no primeiro turno diminuiu quatro pontos em relação a junho, dentro de uma margem de erro de dois pontos para mais ou para menos.
A pesquisa, contratada pela Folha e pela TV Globo e registrada na Justiça Eleitoral (BR-04496/2026), entrevistou 2.058 pessoas em 127 cidades. O levantamento coincidiu com novas revelações envolvendo negócios de Fábio Luís, o Lulinha, que começaram a vazar durante a coleta e se intensificaram logo em seguida. O tema corrupção foi o mais ressaltado na semana, com a Polícia Federal identificando detalhes relacionados a uma lobista e a outros atores próximos ao entorno presidencial, informações que alimentaram a agenda política durante o período de campo.
Além dos dois líderes, o quadro do primeiro turno mostra Ronaldo Caiado (PSD) com 5%, Renan Santos (Missão) com 4% e Romeu Zema (Novo) com 3%. Outros candidatos pontuam abaixo: Augusto Cury (2%) e um conjunto de nomes com 1%. Brancos e nulos somam 8% e 3% dos eleitores dizem não saber. Em uma hipótese que inclui o influenciador Pablo Marçal, este atinge 2% e retira um ponto das intenções atribuídas a Flávio. Na pesquisa espontânea, Lula também lidera (32%) e Flávio aparece com 19%. A rejeição segue elevada para ambos: 46% dizem não votar de jeito nenhum em Flávio e 45% dizem o mesmo sobre Lula.
Do ponto de vista político, os números trazem sinal de atenção para a campanha governista. A inversão do placar no Sudeste, tecnicamente em empate, e a queda da vantagem desde junho configuram um cenário mais competitivo que pode cobrar reação da estratégia do Planalto. Ao mesmo tempo, o perfil do eleitorado mantém diferenças claras: Lula se mantém forte entre mulheres, pobres, nordestinos, idosos e católicos; Flávio avança entre sulistas, evangélicos e quem tem ensino médio ou superior. Em um ano de eleição, esses vetores regionais e socioclassistas serão decisivos para a capacidade de cada bloco converter intenções em votos — e para o custo político imediato das acusações que emergiram durante a coleta.