A nova rodada do Datafolha confirma um cenário apertado: Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. No confronto direto, o presidente tem 47% e o senador 45%, resultado que se enquadra no limite da margem de erro de dois pontos e caracteriza um empate técnico. O levantamento foi feito nos dias 22 e 23, com 2.002 eleitores, e está registrado na Justiça Eleitoral (BR-00304/2026).
O que a fotografia revela é uma estabilidade numérica do topo e o recuo da tendência de ascensão do candidato do PL que vinha reduzindo a diferença nas últimas rodadas. A distância voltou a quatro pontos no primeiro turno — estatisticamente ainda muito próxima para afirmar uma liderança consolidada do petista, mas numericamente favorável a Lula. A leitura imediata para as campanhas é simples: cada ponto percentual vale caro e a batalha pela mobilização e pelo voto útil se intensifica.
No bloco intermediário, nada mudou significativamente: Augusto Cury registra 5%, Ronaldo Caiado 4%, Renan Santos 3%, e Romeu Zema e Samara aparecem com 1% cada. Brancos, nulos e indecisos somam parcela limitada (5% e 2% respectivamente), apontando que 80% do eleitorado já se declara com voto decidido. Esse baixo contingente em aberto reduz a margem de recalque, mas aumenta o valor estratégico de transferências: candidatos menores reclamam pressão de voto útil e dizem ter sido prejudicados por isso.
A segmentação do eleitorado mostra desafios concretos para ambos. Lula mantém vantagem entre os 50% mais pobres (46% a 32%) e no Nordeste (55% a 25%), mas a capacidade de transformar essa liderança em comparecimento será determinante, dado o histórico de maior abstenção entre esses eleitores. Flávio lidera entre evangélicos (47% a 27%), entre quem recebe 2 a 5 salários mínimos (40% a 34%) e no Sul (47% a 27%), além de manter ligeira vantagem no Sudeste (37% a 35%). Em resumo: o senador tem base de alta mobilização em estratos decisivos, o que deixa o jogo em aberto.
O levantamento capta também efeitos recentes na campanha: o arrefecimento da crise no Supremo e o anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família foram movimentos que redesenharam o dia a dia político, assim como debates sobre ingerência externa. Para o eleitor, esses eventos reduziram, por ora, a centralidade de acusações que vinham dominando a agenda. O resultado final é uma disputa que acende alerta para ambos os lados — o governo precisa garantir comparecimento na sua base social; a oposição precisa ampliar além de seu núcleo. A pesquisa é uma fotografia, não uma previsão, mas indica que a eleição seguirá decidida ponto a ponto, com forte prêmio para quem melhor administrar mobilização, mensagem e voto útil.