A nova pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado, mantém o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no cenário mais provável de primeiro turno, com 41% das intenções de voto ante 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, feito entre quarta (17) e quinta-feira (18) com 2.004 entrevistados em 139 cidades, tem margem de erro de dois pontos percentuais. No hipotético segundo turno entre os dois principais nomes, o placar também se repetiu em relação à rodada anterior: 47% para Lula e 43% para Flávio; brancos e nulos somam 8%.

Além do duelo principal, o Datafolha testou outras alternativas: Ronaldo Caiado aparece com 3% no primeiro turno e, num eventual segundo turno com Lula, marca 41% contra 47% do presidente. Romeu Zema chega a 2% na simulação de primeiro turno e, num confronto com Lula, teria 39% ante 48% do petista. A pesquisa espontânea confirma Flávio como principal opção contra Lula fora das opções sugeridas: o presidente tem 30% espontâneos e o senador 17%. Brancos, nulos e indecisos variam entre 7% e 10% nos diferentes cenários.

Do ponto de vista político, os números representam uma pausa no desgaste imediato que o caso 'Dark Horse' provocou em Flávio Bolsonaro: a estabilidade atual alivia a pressão no curto prazo. Ao mesmo tempo, o escândalo do Master passou a atingir a cúpula do PT após ações da Polícia Federal que miraram o senador Jaques Wagner; como a pesquisa foi realizada durante essa movimentação, o efeito pleno do episódio pode não estar totalmente capturado. Para Lula, a estabilidade nas intenções não significa expansão automática de apoio; o governo ainda precisa demonstrar capacidade de converter o pacote de cerca de R$ 140 bilhões em créditos e subsídios em ganho eleitoral, enquanto medidas legislativas anunciadas, como o fim da escala 6x1, avançam com obstáculos no Senado.

Em termos estratégicos, o levantamento reforça que a disputa permanece concentrada em dois polos e que pequenas variações podem ter impacto decisivo em um cenário com margens apertadas. A pesquisa do Datafolha é um retrato do momento, não uma previsão definitiva, mas já aponta consequências práticas: alívio temporário para a campanha de Flávio, necessidade de reação e narrativa mais efetiva do lado governista e pressão sobre articuladores políticos de ambos os lados. Com registro no TSE (BR-09956/2026), o levantamento seguirá sendo referência para ajustes de roteiro e mobilização até outubro.