A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira traz um alívio pontual para a campanha do presidente Lula: em cenário estimado para o primeiro turno, o petista aparece com 40% das intenções de voto ante 36% do senador Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, porém, os dois permanecem tecnicamente empatados — 47% para Lula e 45% para Flávio — dentro da margem de erro de dois pontos. O levantamento foi feito nos dias 22 e 23, com 2.002 eleitores em 125 municípios, e está registrado na Justiça Eleitoral (BR-00304/2026).

No campo governista a leitura foi a de recuperação após semanas de pressão: dirigentes do PT e auxiliares atribuem a oscilação positiva de um ponto à correção de rumos na campanha, à maior atividade da militância e à resolução de problemas logísticos, como o atraso na distribuição de material. O palanque também tem buscado capitalizar anúncios econômicos do governo, incluindo o aumento do Bolsa Família, cuja despesa foi estimada em R$ 22,7 bilhões para 2027.

Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro relativizou a oscilação de Lula e manteve a aposta no voto útil como caminho para atrair eleitores da direita e forçar um desfecho já no primeiro turno. A equipe avalia que medidas anunciadas pelo governo, ainda que custosas, não alteraram substancialmente o quadro e que episódios como a revelação do voo em jato de um empresário e o escândalo vinculado ao caso 'Dark Horse' representaram obstáculos superados em pesquisas recentes. A crise no Judiciário em torno do caso Master também entrou na equação das leituras políticas, segundo interlocutores próximos ao senador.

O resultado consolida a eleição como disputada e impõe riscos para ambos os lados. Para Lula, a margem à frente no primeiro turno não garante vitória automática e obriga a transformar intenção em comparecimento; para Flávio, a estratégia do voto útil segue sendo a principal via para reverter o placar. A proximidade nas simulações de segundo turno deve intensificar as negociações com eleitores do centro e a pressão sobre aliados, além de manter a campanha no modo de alta tensão até a votação. Vale lembrar: pesquisa retrata um momento, não uma previsão definitiva — e a reta final promete novas movimentações políticas e institucionais.