A primeira pesquisa divulgada após o caso 'Dark Horse' sinaliza mudança no tabuleiro eleitoral. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre 20 e 21 de maio (registro TSE BR-07489/2026) e aponta que Lula subiu para 40% contra 31% de Flávio Bolsonaro numa simulação de primeiro turno — avanço de três para nove pontos em relação ao levantamento anterior, que registrava empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos. No cenário de segundo turno, a igualdade de 45% passou a 47% a 43% para o petista. O levantamento também mostra Lula à frente em testes contra Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Michelle Bolsonaro.

O imediatamente após a divulgação deixou claro como o episódio envolvendo Daniel Vorcaro entrou na disputa: a reportagem e o debate público em torno da relação entre o senador e o banqueiro parecem ter convertido-se em desgaste mensurável para a pré-candidatura bolsonarista. O Café da Manhã, da Folha, juntou repórter e comentaristas para analisar os efeitos do caso nas intenções de voto e nas estratégias. Além do voto, a pesquisa registra melhora na avaliação do governo, um componente que tende a reforçar a confiança do eleitor indeciso no candidato governista.

Politicamente, o resultado acende alerta no entorno de Flávio e do PL. A ampliação da vantagem de Lula não é apenas numérica: ela complica a narrativa de robustez da pré-campanha bolsonarista, aumenta pressão por explicações e alimenta debate sobre alternativas caso a candidatura de Flávio se fragilize — daí o teste com Michelle Bolsonaro. Para o campo governista, o dado funciona como confirmação de que crises de reputação podem se traduzir rapidamente em perdas de terreno; para a oposição, reforça a necessidade de manter foco em ampliação de base e discurso de estabilidade.

Importante ressalvar que pesquisa é retrato do momento, não previsão definitiva. Ainda assim, o efeito imediato é político e operacional: obrigará o PL a revisar comunicação, blindagem e, possivelmente, planos de contingência; exigirá do governo e de Lula capitalizar a melhora de avaliação sem subestimar a volatilidade do eleitorado. Com a eleição de 2026 no horizonte, números como este mudam prioridades, forçam ajustes na pré-campanha e elevam a conta política para quem vê sua imagem associada a controvérsias.