A primeira pesquisa Datafolha após o primeiro turno revela um quadro desconfortável para o governo: 40% dos entrevistados consideram a gestão Lula ruim ou péssima, contra 35% que a avaliam como ótima ou boa; 24% a veem como regular. Os números, apurados em 2.520 entrevistas feitas de terça (6) a quarta (7) e registradas na Justiça Eleitoral (BR-02949/2026), chegam num momento em que o petista parte para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
Do ponto de vista eleitoral, os dados têm efeito imediato: a reprovação pessoal do presidente aparece em 49% contra 48% de aprovação, um empate técnico que, na prática, amplia o desgaste político sem oferecer margem clara de recuperação. A pesquisa confirma também uma dificuldade de atração entre eleitores de candidatos de menor expressão do primeiro turno — apenas 12% desses avaliam o governo como ótimo ou bom — sinal de que transferências de voto não serão automáticas.
Para a campanha governista, o caminho possível é buscar eleitores que hoje definem o governo como regular e os indecisos/abstencionistas — segmentos mais suscetíveis à conversão. Ao mesmo tempo, a proximidade da votação no Senado sobre o fim da escala 6x1 é apresentada pela equipe petista como peça tática para atrair atenção e votos, mas depender de medidas legislativas como trunfo eleitoral é arriscado e pode ter efeito limitado no curto prazo.
Politicamente, a pesquisa acende alerta: a combinação de rejeição alta e empate técnico na aprovação complica a narrativa oficial e exige mudança de estratégia, disciplina interna e capacidade de comunicação mais eficaz. Depois do resultado inferior no primeiro turno e das discussões internas sobre responsabilidades, a campanha precisa traduzir dados econômicos favoráveis citados por interlocutores do presidente em sinais palpáveis para o eleitorado — sem isso, a margem para ganhar espaço diante do adversário tende a permanecer reduzida.