A pesquisa Datafolha realizada nos dias 12 e 13, com 2.004 entrevistas em 139 municípios e margem de erro de até dois pontos percentuais, registra empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno: 45% a 45%. A maioria das entrevistas foi feita antes da divulgação pelo site Intercept Brasil das conversas entre o senador e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro —um elemento novo que pode redesenhar o quadro em curto prazo. O levantamento está registrado no TSE sob o código BR-00290/2026.

Além do cenário direto com Flávio, Datafolha mostra Lula à frente nos embates com ex-governadores: 46% a 40% contra Romeu Zema (Novo) e 46% a 39% contra Ronaldo Caiado (PSD), com 13% declarando voto em branco ou nulo em ambos os confrontos. No cenário estimulado de primeiro turno, o presidente aparece com 38% das intenções, seguido por Flávio com 35%; Zema e Caiado pontuam 3% cada. Em outra hipótese com Ciro Gomes (PSDB) na disputa, Lula marca 37% e Flávio 34%, o que rechaça narrativas de consolidação única do centro-direita.

Os números expõem duas dinâmicas políticas relevantes. Primeiro: a corrida segue polarizada entre Lula e o bolsonarismo, com alto conhecimento e rejeição para ambos —47% afirmam que não votariam no presidente de jeito nenhum, e 43% rejeitam Flávio. A estabilidade relativa dessas rejeições desde abril sugere que a disputa continuará sensível a episódios de desgaste e a agendas de curto prazo. Segundo: a vantagem de Lula sobre Zema e Caiado revela limitação do campo do centro-direita em se consolidar como alternativa competitiva em cenários de segundo turno.

Do ponto de vista prático, o levantamento acende um sinal político para o Planalto e para a oposição. Para o governo, a necessidade é dupla: reduzir a rejeição e transformar medidas de apelo econômico —como a revogação da chamada 'taxa das blusinhas' e a MP para frear alta da gasolina, ações citadas no último mês— em ganhos eleitorais duradouros. Para a oposição e para Flávio, o desafio é capitalizar obstáculos do governo sem se tornar vulnerável a escândalos que revertam a trajetória. Em suma, a pesquisa entrega um retrato de competitividade acirrada, mas também de fragilidade: episódios como o caso 'Dark Horse' têm potencial para alterar margens estreitas e redesenhar estratégias até a largada formal da campanha.