O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como o pré-candidato mais associado à experiência na pesquisa Datafolha: 55% dos entrevistados o apontam nesse quesito ante 18% que escolheram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — diferença de 37 pontos. Entre eleitores não alinhados, a vantagem de Lula sobe para 52% contra 8% de Flávio, com margem de erro de quatro pontos nesse recorte. No total, o levantamento ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, com margem de erro de dois pontos.

Já na imagem de modernidade e inovação, Flávio lidera: 31% contra 26% de Lula. Em eleitores não alinhados a vantagem também favorece o senador (22% a 11%). Em temas pontuais, os candidatos aparecem próximos: na comunicação com a juventude Lula tem 32% e Flávio 29%; na preparação para combater a violência, o senador marca 33% e o presidente 29%. Esses recortes mostram um cenário de divisão de atributos, com cada lado detendo vantagens distintas.

A pesquisa também traça riscos e oportunidades políticos. Flávio tem trabalhado para moderar a imagem — encontros com líderes do setor financeiro, almoço na sede do UBS e articulação com empresários estão no repertório que busca ampliar seu apelo entre indecisos e o eleitorado urbano. No entanto, as revelações sobre o caso 'Dark Horse' — reportadas pelo The Intercept e que indicam pedido de recursos a Daniel Vorcaro — podem reduzir a capacidade de expansão do senador entre os não alinhados, justamente o segmento em que precisa crescer.

Do lado do governo, a comunicação permanece um ponto sensível. A troca na Secom no ano passado e o esforço por linguagem mais descontraída não eliminaram críticas sobre alcance e clareza das mensagens. A pesquisa ressalta ainda imagens negativas relevantes: 46% consideram Lula o mais corrupto, enquanto 30% apontam Flávio nesse quesito; por outro lado, 53% veem o senador como o que mais defende os ricos, contra 18% de Lula. O resultado é um retrato de forças e vulnerabilidades que acende alertas para as estratégias de campanha, sem prever desfechos.