A mais recente pesquisa Datafolha reafirma o empate na taxa de rejeição entre os dois nomes que dominam o tabuleiro eleitoral: 45% dos entrevistados dizem que não votariam de forma alguma em Luiz Inácio Lula da Silva, e a mesma proporção aponta não votar em Flávio Bolsonaro. O padrão, repetido ao longo das últimas semanas, confirma que a disputa segue marcada por uma divisão sólida do eleitorado.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre terça (22) e quinta (24) e tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Há uma semana ambos registravam rejeição de 47% e, duas semanas atrás, 46% — variações dentro da margem, que desenham estabilidade no desgaste. Entre os demais pré-candidatos, Renan Santos aparece com 15% de rejeição; Romeu Zema, 14%; Ronaldo Caiado, 13%; Rui Costa Pimenta e Samara têm 9%; Augusto Cury e Edmilson Costa, 8%.
Do ponto de vista político, a paridade na rejeição acende alerta para candidatos e estratégias: com dois nomes tão bem demarcados negativamente, qualquer percentual conquistado entre indecisos e eleitores pendulares pode decidir cenários. A pesquisa expõe a limitação de ambos os polos para ampliar base sem conquistar eleitores fora de suas zonas de conforto — e reforça a centralidade da campanha de convencimento e da comunicação dirigida.
O levantamento captou parte dos efeitos recentes na arena pública. Foi aferido o impacto eleitoral do reajuste de 15% anunciado para beneficiários do Bolsa Família — benefício que só será pago efetivamente em outubro — e um arrefecimento parcial da crise envolvendo o Supremo, que vinha desgastando o governo. Em paralelo, a divulgação, já no fim da coleta, de que o senador viajou em jatinho do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode ter implicações de imagem para Flávio Bolsonaro, embora seu efeito total não esteja completamente refletido na amostra.
O cenário descrito pela pesquisa reforça que pequenas oscilações terão peso político elevado: a disputa está menos sobre conquista massiva de novos eleitores e mais sobre deslocamentos marginais, redução de rejeição e rendimento entre os indecisos. Para campanhas e palanques, a mensagem é clara: a estratégia precisa focar em conter desgaste, explorar vantagens pontuais e converter votos pendulares — caso contrário, a eleição tende a se decidir por diferenças mínimas. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026.