A nova pesquisa Datafolha consolidou um cenário em que Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro já disputam a eleição com traços de segundo turno, mesmo antes do início formal da campanha. O levantamento confirma Lula na liderança e mostra que o impacto do caso 'Dark Horse' teve efeito duradouro: Flávio aparece dez pontos atrás no primeiro turno, sinal de que o episódio limitou, e não destruiu, sua competitividade.
O levantamento descreve um quadro de recuperação contida para o presidente. A administração tenta capitalizar medidas e a exposição de temas caros à campanha —como a promessa de mudanças na escala de trabalho 6x1— para ganhar tração entre eleitores, mas a melhora na avaliação do governo tem sido lenta e ainda insuficiente para ampliar folga estatisticamente confortável. Ao mesmo tempo, Flávio conseguiu segurar a maior parte do eleitorado bolsonarista, evitando que rivais de direita emergissem como alternativa credível.
A radiografia por regiões e perfis mostra as fragilidades do senador: no Sudeste ele fica quatro pontos atrás de Lula; no Sul mantém vantagem de sete pontos; entre eleitores com ensino superior o petista lidera por seis pontos. Entre homens, o empate técnico de primeiro turno aparece em 37% a 37%. No segundo turno, porém, Flávio recupera terreno —ganha 12 pontos frente a Lula— ao atrair eleitores dispostos a impedir a volta do petismo, o que explica por que sua campanha ainda aposta na hipótese de confronto direto.
Há, porém, variáveis que podem reequilibrar o duelo. A investigação sobre conexões do Banco Master com atores do campo petista e com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, surge como potencial atenuante do desgaste que atingiu a direita, oferecendo justificativas que podem ancorar eleitores indecisos. Do ponto de vista político, o diagnóstico é claro: Lula melhora, mas a passos modestos; Flávio preserva capital eleitoral essencial, porém convive com uma crise de confiança em segmentos estratégicos. Para ambos, os números acendem alertas e impõem ajustes de estratégia —e reforçam que a disputa de 2026 dependerá tanto de novos episódios judiciais quanto da capacidade das campanhas de ampliar ou neutralizar margens hoje ainda estreitas.