A nova rodada do Datafolha, realizada presencialmente nos dias 18 e 19 de agosto com 2.058 eleitores, aponta uma vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno: 47% a 43%. O levantamento, encomendado pela Folha e pela TV Globo e registrado no TSE (BR-04496/2026), mantém uma foto do eleitorado muito próxima à de julho, dentro das margens de erro divulgadas.
Os recortes demográficos revelam fissuras significativas. Entre as mulheres, Lula alcança 51% contra 38% de Flávio; entre os homens há empate técnico, com o senador marcando 48% e o presidente 43%. Por cor/raça, o petista atinge seu melhor desempenho entre eleitores que se declaram pretos (55% a 37%), enquanto Flávio supera entre brancos (47% a 41%). Esses padrões confirmam a persistência de blocos de voto com comportamento distinto e impacto direto na estratégia de campanha.
A disputa por renda e religião desenha outro mapa. Lula lidera folgadamente entre quem tem renda familiar de até dois salários mínimos (55% a 35%), mas perde espaço nas faixas superiores: Flávio tem 51% entre os que ganham de dois a cinco salários e 54% entre os que recebem acima de cinco salários. No plano religioso, o contraste é nítido: Lula tem 54% entre católicos; Flávio domina os evangélicos com 62% ante 29% do presidente.
Regionalmente, o Nordeste permanece como bastião do petista (61% a 30%), enquanto o Sul e parte do Sudeste mostram terreno favorável ao senador, ou ao menos empates técnicos. O quadro sugere que, embora Lula mantenha vantagem nacional, a competição está longe de ser homogênea — e qualquer mobilização ou recuo em segmentos chave pode reequilibrar um confronto já apertado.
Do ponto de vista político, o levantamento acende sinais para ambos os lados: reafirma a base de apoio de Lula entre mulheres, pretos e renda baixa, mas evidencia fragilidades com eleitores mais ricos e evangélicos que podem transformar um resultado apertado em derrota. Para a oposição, os números indicam que consolidar a frente nesses segmentos é caminho viável; para o governo, a necessidade é recalibrar mensagens e alianças sem perder o núcleo de apoio social. É, porém, apenas um retrato temporal — não uma previsão definitiva.