A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado confirma uma divisão demográfica nítida: o presidente Lula aparece na frente entre os eleitores mais jovens (16–24 anos) e também entre os que têm 60 anos ou mais, com 46% ante 32% e 47% ante 38%, respectivamente — diferenças que ficam fora do empate técnico, segundo as margens de erro divulgadas pelo instituto (cinco e três pontos).

Nos recortes de idade intermediários há empates técnicos: Flávio Bolsonaro lidera discretamente entre 25–34 e 35–44 anos (43% e 44% contra 38% e 39% de Lula), enquanto o confronto fica equilibrado de 45 a 59 anos. No total do eleitorado, Lula manteve 42% e Flávio subiu para 40%, numericamente próximos dentro da margem de dois pontos — um retrato que indica polarização e pouca folga para qualquer candidatura.

O levantamento também expõe fendas socioeconômicas na disputa. Lula domina entre eleitores com renda até dois salários mínimos (50% a 32%) e entre quem tem ensino fundamental (56% a 28%). Flávio leva vantagem nas faixas de renda mais altas e entre os com ensino médio e superior, com diferenças fora do empate técnico nesses recortes. Esses mapas acendem alerta para a campanha governista sobre a necessidade de ampliar apelo entre eleitores de maior renda e escolaridade.

Regionalmente e por religião há contrastes que reforçam a fragmentação: Lula mantém ampla frente no Nordeste (59% a 28%) e entre católicos, enquanto Flávio lidera no Sul e entre evangélicos. No Sudeste e no Centro-Oeste/Norte os números oscilam dentro da margem de erro, o que mostra que nenhuma das campanhas pode descuidar desses territórios sem pagar preço político.

No cenário de segundo turno a disputa segue apertada: Datafolha simula 47% para Lula e 46% para Flávio, empate técnico. O quadro exige reação estratégica de ambos os lados — para o governo, a prioridade é converter vantagem nominal entre jovens e idosos em espalhamento por renda e escolaridade; para o senador, consolidar ganhos nas camadas superiores e nos redutos que já lidera. Em tradução política, o levantamento coloca pressão sobre as máquinas de campanha e reforça que o pleito de 2026 permanece indeciso, com consequências concretas para alianças e mensagens eleitorais.