A nova rodada do Datafolha, divulgada nesta quinta (3), reforça a polarização regional da disputa ao Planalto: o presidente Lula (PT) preserva seu principal reduto no Nordeste, com 53% das intenções no cenário estimulado de primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera no Sul, com 44%. No total da amostra, Lula soma 38% e Flávio 33%; Augusto Cury (Avante) avança para 8% no agregado. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 1º e 2 de setembro e tem margem de erro de dois pontos para o total da amostra (registro TSE BR-03669/2026).

Os números por região mostram a persistência de redutos eleitorais que tendem a moldar estratégias de campanha. No Nordeste, onde Lula repetiu os 53% da rodada anterior, Flávio aparece com 22% (ante 25% na pesquisa anterior) — variações dentro da margem de erro especificada para esse recorte. No Sul, a oscilação de Flávio, de 38% para 44%, e de Lula, de 33% para 25%, registram movimentos que, embora apontem crescimento do senador, também ficam tecnicamente compatíveis com a margem aplicada naquele recorte. No Sudeste e no Centro-Oeste/Norte há empates técnicos, o que mantém a disputa competitiva fora dos extremos regionais. Entre recortes religiosos, Flávio segue predominando entre evangélicos (45%) e Lula lidera entre católicos (44%).

As mudanças mais relevantes vêm por segmentos demográficos e de escolaridade. A única variação entre os dois líderes que ultrapassa o limite de comparação foi registrada entre eleitores com ensino superior: Flávio saltou de 42% para 51%, enquanto Lula caiu de 45% para 37% — uma inversão que merece atenção da campanha petista, porque expõe fragilidade no eleitorado mais escolarizado. Paralelamente, Cury registra avanços que superam margens de erro em vários recortes: entre 25 e 34 anos passa de 1% para 14%; entre 16 e 24 anos vai a 10%; sobe de 4% para 14% entre os com ensino superior e também cresce entre eleitores que se declaram pardos. Esses movimentos sugerem que o candidato do Avante está capitalizando parte do espaço jovem e escolarizado, segmentos que podem ser decisivos em cenários de segundo turno mais apertados.

No confronto direto de segundo turno, o levantamento indica empate técnico: Lula 46% a 44% para Flávio — números que reafirmam a competitividade, mas também os limites de crescimento para ambos, apontados pelas elevadas taxas de rejeição. Segundo o Datafolha, 47% dos eleitores dizem não votar de jeito nenhum em Flávio, e 45% declaram o mesmo sobre Lula. A avaliação do governo aparece majoritariamente negativa: 42% o consideram ruim ou péssimo, contra 31% que o veem como ótimo ou bom. Em conjunto, os dados desenham um quadro de base regional consolidada, teto de rejeição relevante e espaço aberto para candidaturas de terceira via que consigam articular apelo entre jovens e eleitores mais escolarizados. É um retrato do momento — útil para recalibrar mensagens e foco de campanha, mas não uma previsão definitiva do resultado final.