A pesquisa Datafolha divulgada nesta semana desenha um cenário mais complicado para o presidente Lula (PT) em São Paulo. Segundo o levantamento, o petista aparece com 35% das intenções de voto no estado, oito pontos percentuais a menos do que tinha na mesma distância temporal em relação às eleições de 2022, quando marcava 43%. Flávio Bolsonaro (PL) figura tecnicamente empatado com Lula em 35%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais; o estudo está registrado no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.
O quadro fica ainda mais sensível quando se olha para a rejeição: Lula passa de 43% para 51% entre os paulistas — alta de oito pontos — enquanto Flávio registra 43% de rejeição. O paralelo com 2022 é um alerta para o Planalto: naquele ano, Jair Bolsonaro virou o jogo em São Paulo nos quatro meses finais e acabou por, nacionalmente, obter 45% dos votos contra 38,5% de Lula. A combinação de perda de voto consolidado e aumento da rejeição pode limitar a margem de manobra de medidas eleitorais esperadas pelo governo.
Do ponto de vista político, os números da Datafolha acendem alerta para a campanha governista. A queda em intenções de voto, somada ao salto na rejeição, amplia desgaste e complica a narrativa de recuperação com os mesmos instrumentos usados pelo antecessor. Em um estado com peso decisivo no colégio eleitoral e influência sobre amplos segmentos do eleitorado — hoje mais sensíveis a questões econômicas e de segurança — a confiança perdida é mais difícil de recompor apenas com anúncios pontuais. A margem de erro permite variação, mas a tendência exige resposta estratégica.
Na prática, a pesquisa pressiona o Palácio e a base aliada a ajustar táticas: é imperativo reduzir a rejeição no eleitor moderado e reconquistar parcelas metropolitanas que se afastaram. Para a oposição e para Flávio Bolsonaro, os dados oferecem argumento político e espaço para agressividade na campanha. Resta ao governo transformar indicadores de curto prazo em medidas de impacto visível na vida do eleitor; sem isso, a recuperação em São Paulo tende a ser mais complexa. Como sempre, o levantamento é um retrato do momento, não uma previsão definitiva — mas envia um sinal concreto sobre o que está em jogo em 2026.