O Datafolha indica que 46% dos eleitores afirmam não votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de forma alguma, ante 44% que declaram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento, encomendado pela Folha e registrado no TSE (BR-00466/2026), ouviu 2.520 pessoas entre terça (13) e quinta (15); a margem de erro é de dois pontos para mais ou menos, o que mantém os números em empate técnico.

Os resultados reiteram um padrão de polarização que marca o segundo turno e acendem alerta nas duas campanhas: Lula mantém o mesmo índice de rejeição da pesquisa anterior (46%), enquanto Flávio sobe de 43% para 44%. Com o espaço eleitoral dividido e o eleitorado fortemente preso às identidades partidárias, a propaganda negativa segue como ferramenta central para consolidar bases e tentar desgastar o rival.

O fenômeno não é novo na política brasileira. De 1994 a 2014, a disputa presidencial se deu majoritariamente entre petistas e tucanos; a radicalização se aprofundou após os protestos de 2013, o impeachment de 2016 e o impacto da Operação Lava Jato, que contribuíram para a emergência do bolsonarismo como principal alternativa ao PT. Essas fraturas estruturais ajudam a explicar por que o segundo turno volta a ser definido mais pela rejeição ao adversário do que por adesão a propostas.

Politicamente, os números complicam a narrativa de ambos os lados: alta rejeição limita o potencial de crescimento para além da base fiel e eleva a importância de mobilização e TV. Para a oposição e para o governo, a pesquisa significa perda de margem de manobra táctica — resta cada vez menos espaço para atrair eleitores de centro ou independentes e aumenta a aposta em polarizar o debate. O resultado é um segundo turno marcado por incerteza e por tarefas estratégicas mais difíceis para quem busca virar o jogo.