O Datafolha divulgado nesta sexta-feira revela um padrão claro de divisão eleitoral por renda: o presidente Lula (PT) lidera entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, com 47% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) fica à frente nas faixas acima desse patamar — 42% entre quem ganha mais de dois a cinco salários e 47% entre os que recebem acima de cinco salários mínimos. As diferenças permanecem fora do empate técnico nos recortes por renda.

No agregado nacional, Lula oscilou de 38% para 39% e Flávio de 33% para 35% em relação à rodada anterior; ambos seguem tecnicamente empatados, considerando margem de erro de dois pontos percentuais para a amostra total. Em um eventual segundo turno, o quadro também aparece apertado: 46% para Lula e 44% para Flávio, resultado idêntico ao levantamento anterior e dentro do empate técnico.

Os recortes demográficos acentuam as bases distintas: por religião, Lula tem vantagem entre católicos (46% a 29%), enquanto Flávio domina entre evangélicos (50% a 22%). Por gênero, há vantagem feminina para Lula (41% a 30%) e liderança masculina numérica de Flávio (40% a 36%), ambas com margem de erro de três pontos. Na escolaridade, Lula lidera com folga entre eleitores com ensino fundamental (52% a 24%), e há empate técnico entre ensino médio e superior.

Geograficamente, o Nordeste permanece como único território com liderança clara para Lula (53% a 25%). Nas demais regiões as diferenças caem dentro das margens de erro: Sul, Sudeste e Centro-Oeste/Norte registram números favoráveis a Flávio, mas tecnicamente empatados. Os recortes por idade também mostram um empate técnico em todas as faixas analisadas.

O levantamento, feito com 2.002 eleitores entre 8 e 10 de setembro e com margem de erro de dois pontos para o total, acende alerta sobre a polarização por classes e os desafios estratégicos de cada campanha: Lula precisa ampliar apelo fora da base de menor renda; Flávio precisa converter vantagem entre mais ricos em competitividade nacional. Para adversários e aliados, os dados indicam onde concentrar recursos, mensagens e mobilização nos próximos meses.