Um levantamento do instituto Datafolha com 2.050 entrevistados em 137 municípios indica que a maioria dos brasileiros é contrária à morte assistida. Segundo o estudo, 56% rejeitam a eutanásia — quando um profissional de saúde aplica a substância letal — e 60% se dizem contra o suicídio assistido, quando o próprio paciente administra o medicamento.

O mapa internacional mostra caminhos diversos: na América Latina o procedimento é permitido apenas na Colômbia, no Equador e no Uruguai. Na Europa, países como Bélgica, Holanda, Suíça, Luxemburgo, Espanha e Portugal já legalizaram variantes do ato. Entre 1998 e 2025, nove brasileiros recorreram à Suíça para esse fim. Em 2026, a França aprovou mudança legal sobre o tema para adultos com doenças incuráveis em estágio avançado.

Do ponto de vista político, os números representam sinal de alerta para propostas que ambicionam regularizar a prática no Brasil. A resistência majoritária complica a narrativa de parlamentares e grupos favoráveis, aumenta o custo político de projetos e tende a empurrar o debate para arenas mais sensíveis — com possível judicialização e pressão sobre conselhos profissionais e serviços de saúde.

A pesquisa funciona como um retrato do momento: mostra que qualquer iniciativa legislativa precisará lidar com receio social, forças conservadoras e um ambiente político fragmentado. O resultado reforça a necessidade de debate público amplo e transparente antes de mudanças legais que envolvem princípios éticos, prática médica e direitos individuais.