Uma pesquisa Datafolha realizada nos dias 13 e 14 de outubro com 2.520 eleitores mostra que a reforma do Supremo Tribunal Federal tem apoio majoritário no país. Segundo o levantamento, 59% defendem que ministros passem a ter mandato, 65% querem que decisões monocráticas em casos relevantes sejam submetidas ao plenário, e 52% apoiam que processos de detentores de foro privilegiado sejam julgados em instâncias inferiores. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
O dado adquire peso político porque a pauta deixou de ser apenas retórica de oposição e entrou na agenda institucional. O desgaste do Judiciário se intensificou após as tensões envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, episódio que influenciou o primeiro turno e culminou na suspensão da sessão que avaliaria abertura de investigação contra o ministro. A presença expressiva de parlamentares alinhados ao bolsonarismo no Senado também reabriu debates sobre impeachment de ministros e mudanças na Corte.
No confronto eleitoral, a adesão às propostas é transversal: só há diferença relevante na proposta de mandato — 65% entre eleitores de Flávio Bolsonaro contra 54% entre os de Lula. Em relação às decisões monocráticas e à redução do foro, o apoio é semelhante entre os dois eleitorados, dentro da margem de erro. A leitura profissional para Brasília é clara: o tema tem apelo popular e pode ser explorado tanto pela oposição quanto por alas governistas que busquem recompor narrativa política.
A pesquisa, encomendada pela Folha e registrada no TSE sob o código BR-00466/2026, funciona como retrato do momento, não como previsão. Ainda assim, os números acendem um alerta para o Planalto: a matéria-prima política favorável a mudanças no Supremo amplia pressão por respostas institucionais e arranja espaço eleitoral para quem transformar a demanda popular em agenda legislativa. O desafio será traduzir esse apoio em propostas tecnicamente viáveis sem aprofundar a crise institucional.