Um levantamento inédito do Datafolha mostra que a maioria dos brasileiros não consegue citar o nome de um parlamentar em exercício: 68% dos entrevistados não lembram de nenhum deputado federal e 75% dizem o mesmo sobre os senadores. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais nos dias 17 e 18 de junho e tem margem de erro de dois pontos percentuais; o registro no TSE é BR-09956/2026.
Ao serem questionados sobre em quem votaram em 2022, 67% não lembraram o nome do deputado federal escolhido, e 66% não recordaram o voto para senador ou deputado estadual. Apenas seis dos 513 deputados foram citados, liderados por Nikolas Ferreira (6%) e Érika Hilton (4%). Entre os 81 senadores, 15 foram mencionados, com Flávio Bolsonaro à frente (3%). O levantamento registrou também citações equivocadas a parlamentares em cargos diferentes daqueles que ocupam.
Para analistas, os números traduzem uma fragilidade crônica da representação legislativa: sem identificação com nomes e mandatos, aumenta a dificuldade de cobrança pública e fiscalização. Beatriz Rey, cientista política, aponta que a população tende a valorizar eleições presidenciais e a subestimar as disputas legislativas, o que reduz incentivos ao esclarecimento sobre quem define políticas públicas.
O retrato tem implicações práticas: se eleitores não reconhecem seus representantes, cresce o espaço para estratégias que busquem influência direta —como a liberação massiva de emendas— em detrimento da transparência. Na agenda eleitoral, o Senado ganhou protagonismo por sua capacidade de pautar processos como impeachment de ministros do STF, e o baixo conhecimento do eleitorado pode alterar a dinâmica de responsabilidade e incentivos para 2026.