Pesquisa do Instituto Datafolha revela que 59% dos entrevistados não souberam da rejeição, pelo Senado, da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Dos 41% que afirmaram ter conhecimento do caso, apenas 19% disseram estar bem informados — 18% mais ou menos e 4% se consideraram mal informados.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre os dias 12 e 13 e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Entre os que acompanharam o episódio, 53% avaliam que a derrota deixou o governo mais fraco, 7% acham que o governo saiu mais forte e 36% consideram que não houve impacto no poder do Executivo.

A rejeição do nome de Messias — votada com 42 votos contrários e 34 favoráveis, em uma votação histórica que não ocorria desde 1894 — ainda aparece pouco na percepção pública. O desconhecimento é homogêneo em segmentos como os evangélicos (59%) e mais elevado entre eleitores que declaram voto branco, nulo ou nenhum (72%); entre eleitores de Lula, 61% não souberam do episódio.

Do ponto de vista político, a pesquisa acende alerta: mesmo com baixa penetração no eleitorado amplo, a percepção negativa entre os politicamente engajados expõe desgaste e complica a narrativa do governo. Há ainda incerteza institucional: Lula diz pretender reenviar Messias, mas regras do Senado e decisões do presidente da Casa podem adiar ou inviabilizar nova indicação ainda este ano.