Uma pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que o medo da violência altera rotinas e atinge mais fortemente as mulheres: 40,9% delas disseram ter deixado de sair à noite nos últimos 12 meses, contra 29,8% entre os homens. O levantamento entrevistou 2.004 pessoas em 137 municípios e perguntou sobre 13 situações de risco: 96,2% manifestaram medo de ao menos um desses cenários.
O receio de golpes digitais figurou entre os mais citados (83,2%), seguido pelo medo de ser roubado à mão armada (82,3%), de ser morto durante um assalto (80,7%) e de ter o celular furtado ou roubado (78,8%). No recorte por gênero, as mulheres registraram percentuais ainda maiores: medo de roubo à mão armada e de golpes digitais chegaram a 86,6% entre elas; várias outras situações — como agressão sexual, bala perdida e invasão domiciliar — superaram 80% no grupo feminino. Entre os homens, nenhuma preocupação alcançou 80%.
O levantamento também mostra mudanças de comportamento: 36,5% disseram ter alterado o percurso habitual; 35,6% que deixaram de sair à noite; e 33,5% que passaram a não levar o celular para a rua por medo de assalto. Entre as entrevistadas, 37,8% afirmaram deixar o celular em casa por esse receio, reforçando como a insegurança restringe liberdade e mobilidade feminina no cotidiano.
Os números chegam junto a dados do Ministério da Justiça que apontam aumento de 7,5% nos registros de feminicídio no primeiro trimestre de 2026 (399 casos, ante 371 no mesmo período de 2025). Casos de grande repercussão, como o de Tainara Souza Santos — vítima que morreu após ser atropelada e arrastada por um suposto ex-companheiro — ilustram a gravidade. O quadro combina sensação de vulnerabilidade e violência real, e acende alerta sobre a necessidade de políticas públicas direcionadas, ações de prevenção e resposta policial mais eficazes; para o governo, os números representam custo político e exigem medidas concretas além do discurso.