O Instituto Datafolha apresenta neste sábado um modelo de propensão ao voto para o segundo turno da eleição presidencial, com o objetivo de estimar não apenas as intenções declaradas, mas a probabilidade real de o eleitor comparecer à urna. A pesquisa, aplicada em 23 e 24 de outubro com 4.050 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais, está registrada na Justiça Eleitoral (BR-09540/2026). Os números e a metodologia serão comentados em live a partir das 18h40 com a diretora do instituto e colunistas da Folha.
A novidade metodológica combina duas variáveis centrais: a distância entre o domicílio e o local de votação e o histórico de comparecimento no primeiro turno. Ao cruzar conveniência logística — facilidade ou custo do deslocamento — com o hábito recente de votar, o modelo busca ajustar intenções que, em pesquisa tradicional, podem superestimar o eleitor formalmente favorável mas estruturalmente improvável de ir às urnas. Em levantamento divulgado na quinta, o Datafolha apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (50% cada, em votos válidos), e já sinalizou que abstenção e local de voto afastado tendem a penalizar mais o candidato governista.
Do ponto de vista político, o indicador tem efeito prático imediato: transforma o retrato de intenção em um termômetro de mobilização. Se o ajuste confirmar diferenças de comparecimento entre bases, a leitura do empate técnico muda — e as campanhas terão pouco tempo para concentrar logística, transporte e mobilização de eleitores. Para o governo, em especial, a possibilidade de perda relativa por efeitos de abstenção complica a narrativa de vantagem por voto declarado e acende alerta sobre a necessidade de acionamento de máquinas de mobilização. Importante: trata‑se de um retrato no tempo, não de uma previsão definitiva, mas os dados podem recalibrar estratégias de campanha, pautar cobertura jornalística e influenciar a percepção pública nas horas que antecedem a votação.